Num contexto marcado pelo aumento sustentado da procura energética e pela urgência de reduzir os resíduos que acabam em aterro, a bioenergia consolida-se como uma das alternativas mais estratégicas para avançar rumo a uma economia circular e de baixo carbono.
Um horizonte impulsionado pela transição energética
O processo de descarbonização global colocou o foco em energias renováveis capazes de oferecer não só sustentabilidade, mas também estabilidade e flexibilidade. Neste contexto, a bioenergia destaca-se como uma das poucas fontes renováveis verdadeiramente geríveis e armazenáveis, capaz de gerar eletricidade, calor e combustíveis sustentáveis a partir de recursos biológicos.
Assim o confirma o relatório setorial da ACCIÓ (junho de 2025), que situa a Catalunha como uma das regiões com maior potencial de desenvolvimento neste âmbito graças à sua abundância de recursos biogénicos e a um tecido empresarial cada vez mais especializado.

O relatório identifica um crescimento significativo do setor, com 365 empresas, uma faturação de 872 milhões de euros e mais de 2.600 postos de trabalho em 2023, além de uma clara liderança em biomassa sólida e um desenvolvimento acelerado do biogás e biometano. Além disso, sublinha tendências-chave como o aparecimento de novas tecnologias (pirogaseificação, gaseificação hidrotermal, metanização), a diversificação de modelos de negócio e a convergência com aplicações emergentes como o hidrogénio verde e os combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF).
Além disso, o benchmarking internacional incluído no relatório valoriza iniciativas europeias como Bioeconomy for Change (França) e destaca a importância de modelos territoriais descentralizados, participação do setor primário, inovação tecnológica e estratégias para alcançar uma maior aceitação social. A Catalunha tem diante de si uma oportunidade estratégica para se consolidar como hub de bioenergia à escala europeia, e a Bianna posiciona-se como um ator-chave para materializar este potencial.
Neste cenário, valorizar energeticamente a matéria orgânica e os resíduos sólidos é fundamental para cumprir o Pacto Ecológico Europeu e a Diretiva RED III
Que tipos de bioenergia existem?
Dentro do amplo leque de fontes bioenergéticas, destacam-se principalmente duas:
- Biomassa sólida: trata-se de materiais como restos florestais, agrícolas, podas urbanas ou subprodutos da indústria alimentar. O seu aproveitamento térmico e elétrico realiza-se através de caldeiras industriais ou sistemas de cogeração.
- Biogás e biometano: gerados a partir de resíduos orgânicos (chorumes, resíduos alimentares, lamas de depuradoras), estes gases renováveis permitem gerar eletricidade, calor ou ser injetados na rede de gás natural após um processo de purificação.

Ambas as tipologias estão em pleno desenvolvimento na Catalunha, com a biomassa sólida já consolidada e o biogás a crescer de forma acelerada graças ao potencial de matérias-primas e à infraestrutura gasista existente.
Tecnologia e Soluções para uma Bioenergia de origem sólida
Na Bianna, após a integração da Sugimat, empresa especializada em caldeiras industriais, estamos a trabalhar de forma decidida pela valorização de biomassa sólida, um dos pilares mais robustos e maduros do ecossistema bioenergético europeu. Através das nossas soluções tecnológicas e experiência acumulada, oferecemos projetos chave na mão adaptados a múltiplos setores e indústrias. Para poder articular esta linha de trabalho fazemo-lo através das seguintes tecnologias:
- Instalações de tratamento de resíduos que permitem produzir biomassa sólida de qualidade a partir de diferentes fontes.
- Caldeiras industriais concebidas e fabricadas pela Bianna Sugimat para geração térmica e elétrica de alta eficiência.
- Sistemas avançados de pirólise e gaseificação.
Uma proposta diferencial: para além da madeira
Enquanto muitos atores do mercado centram a sua atividade em biomassa de origem florestal, na Bianna ampliamos a nossa capacidade de processar grande variedade de resíduos sólidos, não só os provenientes de explorações florestais: Pó, MDF, Casca de pinheiro, Choupo, Estilha, Aparas, Resíduos de poda, Resíduos de algodão, Casca de arroz, Pellet de madeira, Palha, Bagaço, Bagacilho, Caroços de azeitona, Galinheira ou até digestato proveniente da biometanização.

Esta versatilidade permite adaptar as soluções energéticas à disponibilidade local de recursos, otimizando tanto a logística como a rentabilidade.
Além disso, graças à integração da Sugimat na Bianna, com a sua ampla experiência no mercado, oferecemos soluções de cogeração à medida, que combinam eletricidade e calor a partir de biomassa sólida. Estas instalações permitem alcançar um rendimento energético superior e são ideais para indústrias com elevada procura térmica ou para redes de calor urbanas.
Projetos de referência
A nossa tecnologia já está presente em projetos estratégicos na Catalunha, aportando soluções tangíveis ao desafio energético:
Nufri (Mollerussa)
A BIANNA forneceu duas caldeiras de vapor saturado alimentadas com biomassa de tipo lenhoso, gerando 20 e 30 toneladas por hora. Utilizam biomassa proveniente de diversas fontes, incluindo a poda das próprias culturas da Nufri, o que fecha um ciclo virtuoso. O vapor gerado destina-se ao seu processo industrial, otimizando assim o aproveitamento energético e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
Aldhara (Ivars d’Urgell)

A BIANNA forneceu uma câmara de geração de gases de combustão policombustível. Este equipamento permite a secagem de diversas culturas como forragens, como a alfafa e o milho ensilado. A sua característica «policombustível» é fundamental, já que lhe permite trabalhar com diferentes tipos de biomassas como resíduos agroindustriais e lenhosos, proporcionando à Aldahara a independência necessária para prescindir por completo do gás natural no seu processo de secagem, o que se traduz em importantes benefícios económicos e ambientais.
Termosolar Borges (Les Borges Blanques)

Este projeto pioneiro a nível mundial combina a geração de energia elétrica mediante concentração solar com a combustão de biomassa florestal. Esta biomassa provém da manutenção de montes locais e poda, assegurando uma fonte sustentável. O coração desta integração são as caldeiras de óleo térmico de biomassa de alta temperatura, concebidas para fornecer energia de forma eficiente e contínua. Esta combinação permite manter a produção de energia elétrica mesmo quando o recurso solar não está disponível, maximizando as horas de produção renovável.
Configuração tecnológica comum
Estes casos partilham uma base tecnológica sólida:
- Pré-tratamento mecânico de resíduos.
- Caldeiras de biomassa de última geração.
- Possibilidade de instalação de sistema de captura de CO2 (Carbon capture ready) que permitiria emissões de carbono negativas e utilização do mesmo em e-fuels, SAF e e-metanol ao combinar-se com produção de hidrogénio verde.
Um modelo catalão com projeção peninsular e europeia
Os sucessos alcançados na Catalunha não são anedóticos: podem e devem replicar-se noutras regiões de Espanha e do continente. As chaves do modelo — diversidade de resíduos, eficiência tecnológica, viabilidade económica — são perfeitamente exportáveis para zonas com forte presença agroindustrial, florestal ou pecuária.
A nossa vocação internacional na hora de trabalhar com parceiros noutros países, que procuram adaptar as nossas soluções aos seus próprios territórios, contribui para a expansão de uma bioenergia mais inteligente, descentralizada e sustentável.
A bioenergia deixou de ser uma promessa para se converter numa realidade palpável.
Na Bianna, continuamos a apostar em soluções que combinam tecnologia, sustentabilidade e rentabilidade, convictos de que os resíduos de hoje são a energia limpa de amanhã.







